Toranja - Lados errados

Largaram-me a mil metros do chão,
Largaram-me porque me agarrei ,
numa alucinação de vida,
que me enchia o coração,
e que agora vejo perdida,
num cair que já não sei.
Largaram-me a mil metros do chão,
Reparo o sol que se afasta no ar,
Rasgo caminho onde o vento dormia,
Adormeço sentidos no meu furacão,
enquanto sol anuncia o dia,
sinto o meu corpo, desamparado, deslizar...
Perdi-te do lado errado do coração,
Eras tu o meu chão...
Enquanto caía a terra rachou,
e eu via a queda ainda mais funda,
Ao meu lado passava tudo o que passei,
comigo a miragem que nada mudou,
do voo rasante que nem começou,
do tempo apressado que nem reparei.
Sinto os meus gestos flutuar, devagar,
no último segredo antes do ódio,
À minha frente um filme de aves sem voz,
e quando as toquei resolvi gostar,
Quando as ouvi fiquei a amar,
ter tentado subir ao cimo de nós.
Amei-te do lado errado do coração,
Eras tu o meu chão...
Não sei ao que chamam lados do coração,
Mas és tu o meu chão...
és tu o meu chão...

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